Supergirl chegou aos cinemas cercado de expectativas, comparações e, infelizmente, muito mais negatividade do que o próprio filme merecia. Segundo longa-metragem do novo Universo DC comandado por James Gunn e Peter Safran, o filme dirigido por Craig Gillespie coloca Milly Alcock no centro da história como Kara Zor-El, acompanhada por personagens como Ruthye e Lobo, interpretado por Jason Momoa. A proposta é diferente daquilo que o público tradicionalmente espera de um filme da personagem — e justamente aí está parte de seu charme.
O filme não tenta ser um novo Superman. E ainda bem.
Supergirl possui identidade própria, uma protagonista mais rebelde, uma aventura espacial e uma abordagem mais emocional da personagem. A história bebe da aclamada HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King e Bilquis Evely, mas adapta o material para uma estrutura cinematográfica própria. O resultado pode não agradar a absolutamente todo mundo, mas está longe de justificar parte do discurso de que seria um desastre
O problema de esperar um Batman ou um Superman
Existe uma cobrança cada vez mais injusta em torno dos filmes de super-heróis: se o personagem não tiver o peso cultural de Batman ou Superman, parece que o filme precisa provar o dobro do seu valor.
E Supergirl acabou entrando nessa armadilha.
É preciso entender que estamos assistindo a um filme da Supergirl. Não é uma produção sobre Batman, não é uma continuação de Superman e não precisa carregar sozinha o peso de todo o Universo DC.
Milly Alcock tem espaço para construir sua própria Kara. A personagem é apresentada de maneira diferente de versões anteriores, mais impulsiva, traumatizada e distante daquela imagem tradicional de uma heroína simplesmente “perfeita”. Isso é justamente o que torna a experiência interessante.
É possível não gostar de determinadas escolhas. É possível criticar roteiro, ritmo, humor, efeitos ou qualquer outro aspecto. O problema começa quando a crítica deixa de analisar o filme que existe e passa a cobrar o filme que determinada pessoa queria que existisse
Um filme engolido pelo sensacionalismo
Talvez uma das partes mais frustrantes dessa história tenha sido a maneira como Supergirl foi tratado antes mesmo de o público ter a oportunidade de formar sua própria opinião.
Antes da estreia, houve uma verdadeira avalanche de manchetes negativas, previsões de fracasso, discussões sobre declarações de Milly Alcock e uma guerra nas redes sociais em torno do filme. A própria atriz falou publicamente sobre a reação antecipada e o backlash que já cercavam a produção antes do lançamento.
Isso criou uma narrativa perigosa: a de que Supergirl precisava fracassar.
E quando essa narrativa se estabelece, qualquer problema vira “prova” de que o filme é ruim.
A bilheteria realmente foi decepcionante. O longa abriu com cerca de US$ 37,1 milhões nos Estados Unidos e terminou sua passagem comercial com aproximadamente US$ 124,6 milhões mundialmente, números muito abaixo do necessário para uma produção desse porte.
Mas bilheteria ruim não transforma automaticamente um filme em filme ruim.
O que mais incomoda é que Supergirl praticamente desapareceu dos cinemas em um espaço de tempo muito curto. A produção chegou a ser disponibilizada digitalmente em 28 de julho, pouco mais de um mês depois da estreia.
E é impossível não pensar no “e se?”.
E se o filme tivesse tido mais tempo para encontrar seu público? E se parte da audiência não tivesse chegado ao cinema já convencida de que assistiria a um fracasso? E se a discussão tivesse sido sobre cinema, e não sobre guerra de fandom?
Talvez o resultado comercial fosse diferente.
Não precisamos destruir tudo para reconhecer um bom filme
Também não acho correto transformar Supergirl em uma obra-prima intocável. O filme tem problemas e algumas escolhas podem dividir opiniões. A própria recepção crítica foi bastante irregular, e a produção enfrentou dificuldades tanto de público quanto de bilheteria.
Mas existe uma diferença enorme entre dizer “não gostei” e dizer “esse filme é um desastre e prova que o novo DCU fracassou”.
Essa segunda conclusão é simplesmente precipitada.
O novo Universo DC está apenas começando
James Gunn e Peter Safran estão tentando construir uma nova continuidade cinematográfica para a DC, depois de anos de mudanças, reboots e projetos desconectados. Superman abriu esse novo capítulo e Supergirl é apenas o segundo grande filme desse universo.
É cedo demais para determinar o futuro de todo um universo cinematográfico por causa de um único desempenho de bilheteria.
Minha opinião: Supergirl merecia mais
Eu gostei de Supergirl justamente porque ele não tenta ser outra coisa.
É uma aventura de ficção científica com personalidade própria, uma protagonista que ainda está encontrando seu lugar como heroína e uma proposta diferente dentro do novo DCU. Milly Alcock consegue carregar o filme e mostra que existe potencial para essa versão da personagem continuar crescendo.
Por isso, considero injusto o tratamento que o longa recebeu.
Um filme pode ter defeitos e ainda ser bom.
Uma produção pode fracassar nas bilheterias e ainda merece ser assistida.
E, principalmente, um filme pode não ser um novo Batman ou um novo Superman e ainda assim ter valor.
Supergirl não precisava salvar a DC. Não precisava provar que James Gunn é um gênio. Não precisava competir com Superman. Precisava apenas contar sua própria história.
E, para mim, conseguiu.
O mais triste é que um filme que tinha potencial para permanecer mais tempo nos cinemas acabou sendo atropelado por uma combinação de baixa procura, concorrência pesada e uma narrativa de fracasso que começou muito antes de boa parte do público sequer assistir à produção.
No começo de um projeto tão ambicioso quanto o novo DCU, talvez o que a DC mais precise seja justamente de tempo para experimentar.
E Supergirl merecia ter tido mais desse tempo.
E você, o que achou de Supergirl? Concorda que o filme foi julgado antes da hora ou acha que a bilheteria refletiu a qualidade? Comenta aqui embaixo! E se você curte quadrinhos e cultura pop, se inscreva no canal ErickHDRHQ.

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Fontes:
- https://www.forbes.com/sites/timlammers/2026/06/26/supergirl-projected-to-earn-40-million-in-opening-weekend-far-below-pre-release-estimates/
- https://variety.com/2026/film/box-office/box-office-supergirl-milly-alcock-toy-story-5-1236789996/






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